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Tarzan - 1966 Destaque

Ron Ely, ator norte-americano cujo verdadeiro nome é Ronald Pierce Ely, nasceu em Hereford, Texas, em 21 de junho de 1938. Na década de 50, estudou na Universidade de Austin, Texas. Desejando ser ator, fez pontas em alguns dos grandes filmes de Hollywood, como “The Remarkable Mr. Pennypacker”, estrelado por Clifton Webb, notório homossexual de Hollywood, que tentou seduzir o iniciante ator. Quando Cliffton comprou duas entradas para ele e Ely assistirem a peça “Nude with Violin”, com Noël Coward, Webb perguntou a Ron o que tinha achado da peça, que respondeu: “Achei boa, mas aquele tal de Coward...como vou dizer...” fazendo um gesto de desmunheca. O veterano ator ficou furioso e tentou boicotar Ely de Hollywood. Na verdade, ele nunca atingiu um status de grande astro, fazendo participações em alguns filmes para o cinema e em séries de televisão também.

 

 

Em 1960, Ely foi escalado no elenco de uma série televisiva da CBS chamada “The Aquanauts” (1960/61), que nada tem a ver com a série “Sea Hunt” (”Aventura Submarina”) também estrelada por Ely em 1987 (Sea Hunt da década de 80 foi uma versão moderna da série de mesmo nome anos antes estrelada por Lloyd Bridges entre 1957 e 1961). “The Aquanauts” foi cancelada após uma única temporada mas, sem desanimar, o ator continuou perseguindo o merecido reconhecimento profissional em vários outros filmes. Sua maior oportunidade ainda estaria por vir no ano de 1966, quando foi escalado no papel principal de Tarzan, na série de tv de mesmo nome.
Foi o 15º ator a interpretar Tarzan nas telas (no caso, na televisão). Sy Weintraub planejou, inicialmente, a série televisiva para Mike Henry, depois dos três filmes que produziu com ele para o cinema, mas devido a problemas internos entre o ator e o produtor, Henry se desligou do personagem e dos planos da série de TV. Porém, Weintraub já notara um jovem ator texano de 28 anos e 1m93 de altura, de fluente cultura, e que já lera muitos dos romances de Tarzan escritos por Edgar Rice Burroughs. Este jovem era Ron Ely.

Para surpresa de Sy Weintraub, o jovem Ron conhecia detalhes dos livros de Burroughs sobre Tarzan, e por isto adotou uma caracterização mais acadêmica do personagem do que feita pelos atores anteriores.
Na série de TV, Earl Greystoke, ainda bebê, fica órfão depois que seus pais americanos morrem em um acidente de aeroplano no continente africano. Achado e criado pelos grandes macacos, o menino recebe o nome de Tarzan, que significa “Pele Branca”. Não muito tempo depois, o jovem Earl é resgatado pelos parentes e levado para os Estados Unidos, onde recebe educação e entra para a Universidade, tornando-se um fenômeno dos esportes, inclusive no Karatê, esporte que ele domina. Decepcionado com a civilização, Earl volta para a Selva Africana, tornando-se novamente Tarzan.
Apesar de algumas diferenças entre a caracterização de Ely com o personagem original de Burroughs, a atuação de Ron é tida como a mais próxima do personagem descrito por Burroughs, embora ele não se beneficie da personagem Jane, sua esposa, abordada nos filmes de Johnny Weissmuller, Lex Barker e Gordon Scott. Ao invés disso, Tarzan cuida de um menino, também órfão, de nome Jay, interpretado por Manuel Padilla Junior (o interneuta Zoca escreveu nos comentários que, infelizmente, este ator faleceu recentemente).
Nos livros, Tarzan jamais freqüentaria uma Universidade, mas tinha o dom de aprender as coisas com facilidade. Assimila várias línguas ocidentais, aprende a dirigir carros e a pilotar aviões, várias técnicas de lutas, e também é um homem viajado. Outra diferença do Tarzan da série de Tv e dos livros originais é que Ely é louro, não correspondendo a descrição física do Homem –Macaco nos romances de Edgar - a de um “gigante branco de cabelos negros, e 6 pés de altura e 6 polegadas”, ou seja, cerca de 1m93, a mesma altura de Ron.

Como nos três filmes estrelados por Mike Henry, Weintraub rodou os episódios de sua série com Ely no Brasil e no México, sem os incidentes anteriores que causaram o afastamento de Henry. No entanto, terminantemente recusou usar dublês para suas cenas de perigo (que incluíam balançar em cipós, lutar com feras e rolar em penhascos, locomoção e travessias de pântanos utilizando-se apenas de cipós, pulos e mergulhos de altíssimas cachoeiras) e, freqüentemente, saía ferido ou com alguma fratura. Estas cenas de ação e aventura de Ron exigiam demais de seu físico avantajado. As situações de perigo eram gravadas como se o ator tivesse com o corpo tomado, possesso por alguma força inimaginável e jamais vista. Muitas vezes ele atuava sentindo terríveis dores, quase que insuportáveis, advindas das conseqüências dos momentos de tensão e de ação exigidos pelos diretores. Mas nunca deixou de asseverar: "Tarzan é o papel que venho esperando a minha vida toda".

O diretor James Komack, que dirigiu alguns episódios da série, numa entrevista dada para a revista TV Guide, disse certa vez ter ouvido de Ron Ely a seguinte frase: "Essa é a minha grande chance. Eu nunca tive um papel de destaque. Eu nunca estive numa série de qualidade. É uma boa sensação, tão boa que, de certo modo, custo muito a acreditar que me machucarei seriamente". A palavra "seriamente" era utilizada de forma muito subjetiva por Ron Ely. Na verdade, freqüentes suturas múltiplas, costumeiros pontos no corpo todo, ossos quebrados constantemente e músculos repetidas vezes distendidos era o que mais se via no ator. Não só para o diretor, mas para qualquer pessoa em sã consciência, tais conseqüências podem traduzir realmente graves ferimentos e terríveis machucados. E essa não foi uma observação isolada por parte dele. Outra no mesmo sentido também veio do próprio Ron Ely. "Se é algo que eu sinto que posso fazer, eu devo fazer sozinho", disse Ely. "Não é bom vender algo que não seja verdade. Eu quero fazer com que o telespectador acredite que eu sou Tarzan". E Ron Ely realmente convenceu, não obstante as escoriações, os hematomas, os tombos, as fraturas, os cortes, os machucados e os inúmeros riscos à sua integridade física e à própria vida. Um ator extremamente profissional, preocupado com o respeito e a opinião de seus fãs e dos envolvidos nas filmagens.
A série encerrou com 57 episódios e 2 temporadas produzidos. Sobre Tarzan, Ely citou certa vez: “Leio sempre as histórias originais de Tarzan, pois elas são bonitas e fascinantes. Sobre um homem educado que retorna ao ambiente que conhece melhor... a selva. Lá, procura a verdade, a honra e a humanidade perdida do homem pelo homem. Este Tarzan é o papel que venho esperando toda minha vida.”
Com encerramento da série, Ely fez participações especiais em outras séries para a Televisão, como Mulher-Maravilha, estrelado por Lynda Carter, e “A Ilha da Fantasia”, estrelada por Ricardo Montalban (que recentemente faleceu), ambos da década de 70. Em 1975, fez um piloto para um projeto de série de TV intitulado "Doc Savage, o Homem de Bronze" encarnando o personagem título das histórias em quadrinhos criado nos anos de 1930. Lamentavelmente, a série não decolou (nota do autor:"Lembro bem desse filme. Tinha uma parte que o Ron Ely ficava em frente a um iglu sob temperaturas abaixo de zero sem qualquer tipo de proteção. Na rua a gente brincava de ser Doc Savage, uma criança que resistia a quaisquer temperaturas, inclusive às mais quentes depois de uma boa surra em casa...rrrsrsrss....bons tempos!!!")
Nos últimos anos, afastado das câmeras, Ely ganhou renome como escritor de livros de mistérios, inspirados até mesmo pela literatura de Edgar Rice Burroughs que ele tanto cultivara, e desde então vem publicando seus livros nos Estados Unidos (From Wikipedia. Tradução/adaptação livre: Vitor Pinheiro).

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