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Harry O - 1974 Destaque

Fico feliz e um pouco triste em ser o primeiro a comentar sobre essa serie a qual adorava. Comecei a ver por causa do David Jassen, que antes fazia O Fugitivo, e minha avó adorava, e depois descobri uma série diferente, onde o herói era meio um anti herói sem o glamour da maioria dos heróis de séries. O Harry era introspectivo, calado, na dele e por isso mais humano. Nas horas vagas trabalhava no barco (que nunca ficava pronto), cujo nome era “The Answer”. Não deixa de ter uma certa filosofia…

O site é absolutamente fantastico, capaz de revolver lembranças e emoções indescritíveis (comentário feito pelo internauta Amarilio). O comentário do Amarilio foi muito oportuno e justo. “Harry-O” merecia uma atenção maior de nós, frequentadores deste site fantástico do Vitor. Então vamos recordar caro Amarílio…de 1974 a 1976, a rede ABC produziu 45 episódios desta série. Pouco? Sem dúvida. Motivos? O Amarílio já disse os principais: o principal personagem não era nenhum super-herói mas um sujeito caladão, solitário, vulnerável e com compaixão pelo ser humano. E que até andava de ônibus (esta ninguém acredita!) pois seu carro quase nunca funcionava! Harry Orwell (por isso o tal “O”) levou um tiro na coluna (a bala nunca foi retirada) e quase ficou paralítico quando no “cumprimento do dever” (trabalhava como policial em Los Angeles). Foi forçado a se aposentar por causa disso e, para ganhar um dinheiro extra, além do dinheiro da aposentadoria, encarava o trabalho de detetive particular. Morava em um chalé numa praia de San Diego e a lembrança do nome do barco dele, pelo Amarilio, é muito importante, pois significa que Harry nunca iria conseguir finalizar o seu barco pois ele, como nós, metaforicamente falando, tinha “respostas” que nunca se tornariam realidade e “sonhos” que continuariam sendo sonhos, ou seja, “A Resposta” nunca chega e estamos sempre procurando por ela. Uma procura de uma vida inteira.

Howard Rodman (1920-1985), o criador da série, assim pensava quando idealizou aquele barco de simbólico nome “The Answer” (A Resposta). O que mais se aproximou, em termos de Televisão, da criação imortal de Raymond Chandler, o detetive Philip Marlowe, foi talvez Harry Orwell.O prematuramente falecido David Janssen (1931-1980) “encarnou”, é a palavra certa, este personagem lacônico e estóico. Ele “nasceu”, vamos dizer assim, para ser o “Dr.Richard Kimble”(O Fugitivo) e para ser “Harry O”. Henry Darrow, o impagável “Manolito Montoya” de “Chaparral”, fazia muito bem o papel de seu amigo e contato na polícia, o tenente “Manuel ‘MannyQuinlan. Este personagem foi morto no final da primeira temporada e Harry se mudou para Malibu e passou a ter um novo amigo policial, o tenente “K.C. Trench”, interpretado por Anthony Zerbe que ganhou um “EMMY” de melhor ator coadjuvante por sua partipação neste papel. Merecido por sinal pois é um ator muito bom. É interessante lembrar que, antes de “As Panteras”, Farrah Fawcett fazia uma vizinha, “Sue”, de Harry. Não aparecia muito mas quando isto acontecia todo mundo percebia. Billy Goldenberg, o talentoso compositor do tema de “Kojak”, criou o bom tema musical de “Harry O”. A parte “triste”, Amarilio, é que uma série soturna como era esta, embora de qualidade indiscutível, dificilmente vai aparecer no Brasil em DVD. Tomara que eu queime a língua…
Um pequeno adendo…Talvez fosse mais justo comparar Harry O com outro personagem da literatura. “Lew Archer”, o inesquecível detetive do grande escritor Ross Macdonald (1915-1983), talvez se pareça mais com Harry do que Philip Marlowe. Quem conhece a obra de Chandler e Macdonald que faça seu julgamento…Paul Newman encarnou Archer em dois filmes mas mudou seu nome para “Lew Harper”…exigência do ator! Ele achava que filmes que começavam com a letra “H” lhe davam mais sorte na época!!! Vide “Hombre” e “Hud”.” Estrelas de Cinema” tem estas prerrogativas…(comentários do internauta Cássio Fernando D.Queirós, Belo Horizonte/MG).

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